Intangível Só Vale se É Percebido Setembro 19, 2008
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Quando se fala em valor não se pode deixar de ter em mente que valor é uma percepção que depende, por exemplo, da análise de variáveis fixas, como preços, e também de variáveis relativas, como a importância, urgência e benefícios atuais e futuros vislumbrados por quem compra e/ou avalia determinado bem ou ativo (ex. empresas)
A volatilidade do valor decorrente da diferença existente entre o Valor de Mercado e o Patrimônio Líquido (contabilizado no balanço), refletido no valor das ações das empresas, está quase que totalmente relacionada a percepções acerca de aspectos intangíveis tais como capacidade intelectual, networking, clientes fidelizados, governança corporativa, marcas, reputação, poder de barganha junto à cadeia de valor, modelo de negócio, sustentabilidade, acesso a mercados, uso de tecnologias, inovação, acesso a crédito etc.
Ou seja, o valor atribuído a este delta está em grande parte fundamentado em percepções de desempenho futuro, sendo contextualizado e subsidiado por informações qualitativas, geralmente não tangíveis (vale ressaltar que não estamos excluindo acontecimentos, fatos e conjunturas econômicas que afetam setores e economias em geral, tais como recessões, intervencionismos estatais etc, que em determinados momentos respondem por um maior impacto na valoração de empresas).
Em nosso último estudo realizado com base na avaliação de mais de 500 empresas de capital aberto (2007), chegamos ao ranking das 50 empresas que melhor empregam e realizam a gestão estratégica e operacional de seus ativos intangíveis como drivers de geração de valor ao acionista (e demais stakeholders) – o CMDOM 50.
Quando analisados o desempenho das ações destas empresas pertencentes a oito dos principais setores da economia – bancos, serviços financeiros, serviços profissionais, varejo, indústria, convergência e bens de consumo não duráveis – podemos confirmar a expectativa de que as ações destas empresas performam, variando, em média, de 10% a 30% a mais do que o IBOVESPA, período a período dentro dos 12 meses monitorados. O indicador que criamos para acompanhar a performance do CMDOM50 frente ao IBOVESPA – o IPID (Índice de Performance em Intangíveis).
Obs: o IPID 2008 será publicado em Outubro próximo, por conta do release do CMDOM50 2008 para cerimônia do PIB 2008 (Prêmio Intangíveis Brasil 2008).
Dependendo do setor em que a empresa se encontra, aspectos e investimentos em ativos intangíveis intelectuais, de relacionamento, institucionais e/ou organizacionais são mais ou menos necessários e reconhecidos por seus diversos stakeholders, assim como impactam em maior ou menor grau o valor das empresas. Ou seja, identificar claramente os intangíveis capazes de construir ou proteger o valor da empresa depende fortemente do setor de atuação da empresa, de sua estratégia, da conjuntura competitiva de seus mercados e de sua conjuntura interna no momento.
Para exemplificar, podemos escolher o ativo intangível “marca” em alguns setores da economia e observar a participação relativa no total do valor de mercado da empresa que a detém: Nike 84%, Coca Cola 39%, Microsoft 15%, General Eletric 4%, Wal Mart 15% (Brand Finance 2007).
Nossos estudos em 2007 apontaram que a participação dos intangíveis no valor de mercado das empresas, em geral, varia tremendamente de setor para setor, como segue a tabela abaixo:
• 3o. Setor – 71%
• Siderurgia, Metalurgia, Mineração – 27%
• Atacado e Distribuição – 26%
• Automobilística – 39%
• Aviação – 31%
• Bens de Consumo Não Duráveis – 32%
• Consultoria e Serviços Profissionais – 61%
• Educação e Treinamento – 59%
• Eletroeletrônicos – 35%
• Energia – 30%
• Farmacêutica – 39%
• Financeira – 42%
• Higiene e Beleza – 41%
• Tecnologia da Informação – 53%
• Internet – 68%
• Moda – 77%
• Papel & Celulose – 31%
• Petroquímica – 25%
• Química – 33%
• Saúde – 46%
• Seguros – 36%
• Telecom – 41%
• Têxtil – 34%
• Varejo – 38%
Podemos claramente perceber que a correta gestão dos ativos intangíveis contribui sobremaneira para uma percepção positiva da corporação junto aos principais stakeholders e influenciadores na formação de valor das empresas, tais como acionistas, market makers e investidores, que percebem nas informações qualitativas e nos sinais passados pela organização ao mercado que os meios necessários para a consecução de suas estratégias e posicionamento estão bem estruturados e fundamentados, em práticas, investimentos, processos e modelo de gestão coerentes e controlados.
Desta forma, podemos inferir que ativos intangíveis só têm valor quando e se percebidos pelos diversos stakeholders da corporação. Quando esses stakeholders conseguem compreender quais e como esses ativos estratégicos não contabilizados nos balanços são responsáveis por viabilizar crescimento, reputação, diferenciação e perpetuidade da empresa perante os concorrentes, então podemos dizer que sua gestão (e comunicação) é eficaz e agrega maior valor ao acionista.





Prezados (as) Senhores (as)
No ano passado o Itaú ficou no 1o. lugar do ranking. Este ano, vocês poderiam nos adiantar os resultados do Prêmio Intangíveis?
Obrigada
Banco Itaú
Prezada Renata,
Os resultados serão divulgados em breve. Aguarde apenas mais um pouco.
Porém, antecipamos que, assim como no ano passado, o Banco Itaú foi muito bem rankeado no Prêmio Intangíveis Brasil.
Obrigado por sua participação em nosso blog!